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Escrito por: David Zanetti

Quando: 28 de junho de 2024

CMMI e Agilidade: integrando abordagens para otimizar processos

No desenvolvimento de software, organizações frequentemente exploram frameworks e modelos como o Capability Maturity Model Integration (CMMI) e metodologias ágeis como Scrum e Kanban para alcançar eficiência e qualidade. Embora inicialmente distintos, integrar essas abordagens de forma harmoniosa pode maximizar os benefícios. Este artigo explora como CMMI e Agilidade coexistem e se complementam.

 

Entendendo o CMMI

O Capability Maturity Model Integration (CMMI) é um modelo de maturidade amplamente usado para melhorar a eficiência dos processos de desenvolvimento e manutenção de software, baseado em melhores práticas de organizações líderes em diversos setores. Visa aprimorar a capacidade organizacional para gerenciar e controlar processos de software de forma sistemática.

Diferentemente das metodologias ágeis que, em sua essência, focam em indivíduos e interações para desenvolver soluções criativas, as práticas do CMMI abrangem várias áreas da engenharia de software e sua implementação conforme o nível de maturidade organizacional. A organização melhora gradualmente suas práticas à medida que avança nos níveis de maturidade.

 

Práticas Ágeis: Scrum e Kanban

Por outro lado, Scrum e Kanban metodologias ágeis conhecidas por sua flexibilidade, entrega contínua de valor ao cliente e adaptação contínua às mudanças. Scrum organiza o trabalho em iterações curtas (sprints), reuniões diárias (daily standups) e papéis definidos (Product Owner, Scrum Master e time de desenvolvimento). Kanban se baseia no fluxo contínuo de trabalho, limites de trabalho em progresso (WIP) e otimização do fluxo de valor.

 

Pontos de Convergência entre CMMI e Agilidade

Essas duas abordagens não são vertentes ortogonais para organizações que buscam melhorar a governança de projetos visando maior produtividade e qualidade. Esse conceito é um mito perpetuado pelo mercado, baseado em cenários antigos onde as práticas do CMMI eram excessivamente focadas em documentação, apenas para cumprir requisitos de avaliação. Era mais importante evidenciar práticas do que compreender os objetivos que essas práticas deveriam alcançar.

O foco deve estar no valor agregado que essas práticas trazem para a organização, alinhando-se aos princípios ágeis, como o manifesto ágil, que valoriza mais o software funcionando do que documentação abrangente. Isso não implica eliminar a documentação, mas sim documentar o que realmente faz sentido e agrega valor ao processo de trabalho.

Apesar das diferenças aparentes, CMMI e práticas ágeis têm vários pontos de convergência:

 

1. Foco na Qualidade e Melhoria Contínua

Tanto CMMI quanto práticas ágeis enfatizam a importância da qualidade do produto e a melhoria contínua dos processos. Práticas de Scrum como Review e Retrospectiva incentivam a equipe a potencializar boas práticas e evitar o que foi ruim, para buscar e registrar melhorias para serem implementadas em sprints futuras. Essas práticas estão totalmente alinhadas à área de prática PCM (Process Management) do CMMI.

 

2. Feedback Iterativo e Adaptabilidade

O CMMI e Agilidade compartilham o foco no feedback iterativo para ajustes contínuos nos produtos e processos. Dentro do CMMI, práticas como Revisões por Pares (PR) e Integração do Produto (PI) são permeadas por métodos amplamente adotados no Agile, como revisões frequentes, refatoração, padrões de codificação, pull requests e análises automáticas de código por ferramentas como SonarQube. Essas práticas garantem um feedback ágil para as equipes sobre a qualidade do produto em tempo real.

O planejamento (PLAN) no CMMI se alinha perfeitamente com o conceito de Sprints no Agile, promovendo ciclos curtos de trabalho que facilitam o monitoramento contínuo. Esse alinhamento permite a detecção precoce de desvios em relação aos acordos estabelecidos, possibilitando correções imediatas para garantir o cumprimento dos objetivos gerais estabelecidos.

 

3. Engajamento do Cliente

Tanto o CMMI quanto as práticas ágeis reconhecem a importância do envolvimento do cliente ao longo do ciclo de desenvolvimento. Diversas áreas de práticas do CMMI, como RDM (Desenvolvimento e Gestão de Requisitos), VV (Verificação e Validação) e PI (Integração do Produto), enfatizam a revisão contínua dos produtos de trabalho, como Estórias de Usuário, Código-fonte e Software, seja pelo cliente ou pela equipe interna. Isso visa garantir que os produtos atendam aos padrões de qualidade da organização desenvolvedora e aos requisitos dos clientes.

 

4. Transparência e Visibilidade

Ambas promovem a transparência e visibilidade dos processos executados. O CMMI, através de áreas de prática como PLAN (Planejamento), MC (Monitoração e Controle) e PQA (Garantia da Qualidade do Processo), possui práticas que podem ser implementadas por práticas ágeis. Exemplos incluem gestão visual, quadro Kanban, Burndown, Cronograma de Release, Cronograma de Sprints, definições de “Pronto” (DoR) e definições de “Feito” (DoD), além de artefatos visuais e reuniões regulares.

 

Integrando CMMI com Scrum e Kanban

Muitas organizações tentam implementar metodologias ágeis, mas frequentemente limitam-se a ciclos de sprints sem respeitar o conceito fundamental de time-box. Similarmente, outras adotam práticas do CMMI, resultando em uma quantidade excessiva de documentos para cumprir cada área de prática, seguindo um modelo sequencial que lembra o antigo cascata.

É crucial compreender que nem os métodos ágeis resolvem todas as questões de gestão de trabalho e pessoas, nem o CMMI segue um ciclo de vida tradicional. É fundamental assimilar os princípios e valores desses modelos como referências de boas práticas, não como processos prescritivos que podem ser adotados integralmente. Eles devem ser vistos como uma caixa de ferramentas, não uma receita pronta. O que funciona para uma organização pode não funcionar para outra.

Para integrar CMMI e Agilidade (Scrum e Kanban) de maneira eficaz, considere o seguinte:

  • Mapeamento de Processos: Identifique como práticas ágeis podem alinhar-se aos processos exigidos pelo CMMI, usando reuniões do Scrum para atender requisitos de revisão e planejamento. 
  • Medição e Análise: Utilize métricas ágeis (como velocidade no Scrum ou lead time no Kanban) para monitorar e melhorar o desempenho, alinhando essas métricas com os objetivos de medição do CMMI. 
  • Gestão de Mudanças: Aproveite a flexibilidade das práticas ágeis para responder rapidamente a mudanças, mantendo registros conforme exigido pelo CMMI. 
  • Auditorias e Avaliações: Adapte auditorias formais do CMMI para complementar revisões regulares do Scrum ou de fluxo de trabalho no Kanban, integrando feedback e melhorias contínuas.

 

Considerações finais

Em resumo, CMMI e Agilidade abordam boas práticas de desenvolvimento de software de maneiras distintas, mas não são mutuamente exclusivos. Com um entendimento dos princípios de cada abordagem e esforço para integrá-los, as organizações podem criar um ambiente que aproveite o melhor de ambos: a disciplina do CMMI e a flexibilidade das práticas ágeis.

Essa integração não só melhora qualidade e eficiência dos processos, mas também fortalece a capacidade da organização de responder ágil e responsivamente às demandas do mercado.

 

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David Zanetti

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